
- Aguentas mesmo bem a dor, não é? A maior parte das pessoas que faz o que fizeste não se param de queixar.
- A sério? Talvez eu seja apenas insensivel; frigida até.
- Sim, sim. Foste tudo menos frígida, no outro dia.
Acendeu um cigarro, inalou profundamente e colocou-o entre os meus lábios. Depois acendeu outro para sim.
- É muito amável da tua parte.
- Nem por isso - disse ele. - A primeira passa é sempre a melhor.
- Por acaso, acho que é a segunda.
Ele riu-se mas não disse nada.
- Então, sentiste vontade de me matar?
- Sim. Tive de me concentrar no que estava a fazer para não pensar nisso. Ah! Se alguma vez decidires que queres morrer, deixa-me matar-te - disse ele. Sorri e acenei afirmativamente. Depois ele sorriu também e perguntou:
- Posso foder o teu cadáver?
- Não me interessa o que acontece ao meu corpo depois de morrer - respondi, encolhendo os ombros.
Dizem que os mortos não falam, afinal de contas. Nesse caso, certamente que não há mais nada desprovido de significado do que não poder dar uma opinião sobre nada. Faz-me pensar por que diabo as pessoas pagam fortunas por lápides. Quer dizer, pessoalmente, não tenho o mínimo interesse pelo meu corpo se a minha mente já não viver nele. Por mim, até podia ser comida por cães.
- Mas talvez eu não conseguisse pô-lo de pé... se não te visse sofrer.
Agarrou-me no cabelo e puxou-o. Os musculos do meu pescoço tremeram com a pressão inesperada. Ele segurou-me no queixo e obrigou-me a olhar para cima.
- Queres chupá-lo...??

2 comentários:
é muito mórbido para o meu gosto, apesar de ter um cheirinho de erotismo, fica uma marca que eu não gosto, mas tens muito jeito para escrever e espero que escrevas muito mais. Cá espero coisas novas.
Beijinhos dcces.
hmmm. sua marota ;)
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