terça-feira, 20 de maio de 2008

SS.



- Aguentas mesmo bem a dor, não é? A maior parte das pessoas que faz o que fizeste não se param de queixar.

- A sério? Talvez eu seja apenas insensivel; frigida até.

- Sim, sim. Foste tudo menos frígida, no outro dia.

Acendeu um cigarro, inalou profundamente e colocou-o entre os meus lábios. Depois acendeu outro para sim.

- É muito amável da tua parte.

- Nem por isso - disse ele. - A primeira passa é sempre a melhor.

- Por acaso, acho que é a segunda.

Ele riu-se mas não disse nada.

- Então, sentiste vontade de me matar?

- Sim. Tive de me concentrar no que estava a fazer para não pensar nisso. Ah! Se alguma vez decidires que queres morrer, deixa-me matar-te - disse ele. Sorri e acenei afirmativamente. Depois ele sorriu também e perguntou:

- Posso foder o teu cadáver?

- Não me interessa o que acontece ao meu corpo depois de morrer - respondi, encolhendo os ombros.

Dizem que os mortos não falam, afinal de contas. Nesse caso, certamente que não há mais nada desprovido de significado do que não poder dar uma opinião sobre nada. Faz-me pensar por que diabo as pessoas pagam fortunas por lápides. Quer dizer, pessoalmente, não tenho o mínimo interesse pelo meu corpo se a minha mente já não viver nele. Por mim, até podia ser comida por cães.

- Mas talvez eu não conseguisse pô-lo de pé... se não te visse sofrer.

Agarrou-me no cabelo e puxou-o. Os musculos do meu pescoço tremeram com a pressão inesperada. Ele segurou-me no queixo e obrigou-me a olhar para cima.

- Queres chupá-lo...??

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Want.



- Traz-me umas cervejas.
- Tenho cervejas no frigorífico. Mais alguma coisa?
- Sérgio... alguma vez mataste alguém?...
Ele olhou para mim durante um segundo, fazendo com que uma dor aguda me percorresse o corpo.
- Bom... - murmurou, acariciando-me o cabelo. Não sei porquê, mas as lágrimas vieram-me aos olhos e deslizaram.me pelas faces.
- Qual foi a sensação? - perguntei, com voz trémula.
- Foi boa - respondeu ele, como se eu lhe tivesse perguntado apenas «Como foi o teu banho?». Era evidente que estava a fazer a pergunta à pessoa errada.
- Boa, han? - disse, desejando não ter desatado a chorar.
- Despe-te.
- Então, mas...
- Essa tua cara de choro deu-me tesão.
Despi-me toda, à excepção da roupa interior. Sérgio vestia uma camisa branca e calças cinzentas. Ele desapertou o cinto, depois pegou-me ao colo e colocou-me em cima da cama. As minhas virilhas reagiram ao seu olhar frio. Segundos depois, parecia que os dedos e o caralho dele estavam em todo o lado. Enfiados em mim, espetados em mim, fazendo-me arquejar e encolher-me de dor e prazer.
Quando acabámos, fiquei na cama enquanto ele se levantou para ir buscar cigarros.
Sentou-se ao meu lado, acendeu um cigarro e disse:
- E se namorasses comigo?
- Era disso que querias falar comigo?
- Era. O Afonso é complicado de mais para ti. E tu és complicada de mais para ele. Voçês os dois não são compatíveis.
- E eu e tu somos?
- Não. Mas isso é outra questão. É só porque me apetece ter-te só para mim... - Sem esperar pela resposta, levantou-se e vestiu-se.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Gosto desse teu olhar de menina marota...

Sem olhar para mim, disse em tom deliberado:
- Olhar para a tua cara deixa o sádico que há em mim louco.
- Bem, eu sou masoquista, portanto talvez esteja a emitir esse tipo de vibração - disse eu.
Ele levantou-se e olhou-me finalmente nos olhos. Inclinou-se até ter os olhos ao nível dos meus, levantou-me o queixo com os dedos magros e sorriu.
- Adorava espetar uma agulha nesse pescoço - disse, com ar de quem estava prestes a rebentar em gargalhadas.
- Parece que és mais savage do sádico - disse eu.
- Nesse aspecto tens razão.
- Pensei que não conhecesses essa palavra...
- Eu tenho um grande vocabulário de palavras sinistras - Disse fazendo aquele sorriso timido e torto.
É completamente louco, pensei, mas não conseguia reprimir o meu desejo de o deixar fazer o que quisesse comigo...